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  Publicado em: 22/02/2021
  Alterado em: 20/05/2022
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NOME BOTÂNICO:
Passiflora incarnata L.
FAMÍLIA:
Passifloraceae.
NOME POPULAR:
Maracujá, maracujá-guaçu, maracujá-sylvestre, passiflora, flor-da-paixão.
DESCRIÇÃO BOTÂNICA:
Herbácea trepadeira, pouco vigorosa, com flores perfumadas de cor branca na parte interna das pétalas e azul-clara ou rosada na corona (conjunto de filamentos da base dos órgãos sexuais). Folhas simples, alternas, profundamente trilobadas, pecioladas, serradas e finamente pubescentes, tendo nas axilas estípulas e gavinhas. Frutos ovalados, de cor verde clara com polpa branca.
FITOQUÍMICA:
O gênero Passiflora tem como característica fitoquímica apresentar alcaloides, flavonoides glicosilados e compostos cianogênicos.
As folhas da P. edulis contém o ciclopropano triterpeno glicosídeo (passiflorine), flavonoides glicosídeos (derivados da apigenina ou luteolina), fenóis, aminoácidos, carotenoides, alcaloides (harman, harmina, harmalina, harmol e harmanol), antocianinas e triterpenoides. Apresenta constituintes característicos da P methystico (kavaína, iagonina e di-hidrometisticina).
As folhas da P. incarnata contém flavonoides (crisina, vitexina, isovitexina, saponarina, campferol, quercetina e apigenina), considerados os principais constituintes. Outros constituintes são alcaloides indólicos (harmano ou passiflorina, harmina, harmanol e harmalina), esteróis (estigmasterol e sitosterol), cumarinas (escopoletina e umbeliferona), maltol, lignanas (ácidos cafeico e ferúlico), heterosídeos cianogênicos, polissacarídeos, traços de óleo essencial (limoneno, cumeno, α-pineno, zizaeno), taninos (catecol, ácido gálico, leucoantocianidinas), aminoácidos, ácidos graxos. Os flavonoides encontram-se em maior concentração nas folhas, com destaque para o teor de isovitexina, principalmente na fase de pré-floração e floração desta espécie.
MARCADOR:
Vitexina.
ALEGAÇÕES:
Quadros leves de ansiedade e insônia, como calmante suave.
PARTE UTILIZADA:
Partes aéreas.
VIA DE ADMINISTRAÇÃO:
Oral.
USO:
Adulto.
POSOLOGIA E FORMA DE USAR:
Infusão: 3g (1 colher de sopa) em 150ml (xícara de chá). Utilizar 1 xícara de chá de 3 a 4 vezes ao dia.
Pó: 500mg a 2g ao dia
Decocção: a preparação deve ser feita fervendo-se bem as folhas, em recipiente aberto, para eliminar o excesso de ácido cianídrico liberado pelos glicosídeos cianogênicos. Para isso, põe-se para ferver 6 a 10 g de folhas frescas ou 3 a 5 g de folhas secas em água suficiente para uma xícara de chá, que deve ser bebida de preferência à noite, para induzir sono, ou tomada 2 a 3 vezes ao dia como tranquilizante.
Extrato seco (1:2) 1,5% flavonoides totais: 250 mg a 1 g ao dia.
Extrato seco (5:1): 300 a 400 mg, 3 vezes ao dia.
Tintura (1:5, etanol 45%): 0,5 a 2 ml, 3 a 4 vezes ao dia.
Tintura-mãe: 4 a 20 ml ao dia.
Extrato das partes aéreas: 30 a 120 mg de flavonoides totais expressos em vitexina ao dia.
FORMULAÇÕES CASEIRAS:
Estado depressivo em virtude do alcoolismo; ansiedade; estados nervosos; insônia: em 1 xícara (chá), coloque 1 colher (sopa) de folha bem picada e adicione água fervente. Abafe por 10 minutos e coe. Tome 2 xícaras (chá) ao dia, de preferência uma à noite, antes de se deitar.
Hemorróidas; reumatismo; inflamações cutâneas; erisipela: coloque 2 colheres (sopa) de folhas fatiadas em 1 copo de água em fervura. Deixe ferver por 5 minutos e coe. Aplique nas regiões afetadas, com gaze ou pano. No caso de hemorróidas, pode-se ainda adicionar à água morna e fazer banho de assento.
Perturbações nervosas da menopausa; insônia; histeria; normalizador da pressão arterial: coloque 2 colheres (sopa) de folhas bem picadas em 1 xícara (chá) de álcool de cereais a 70%. Deixe em maceração por 5 dias e coe. Tome 1 colher (café), diluído em um pouco de água, 2 vezes ao dia, e se necessário, uma à noite, antes de se deitar.
Geléia: corte pela metade 1 kg de frutos maduros e retire com uma colher as sementes. Passe por uma peneira para extrair das sementes a parte do melaço (arilo) acidulado, apertando com um garfo. Reserve. Coloque em uma panela as metades dos frutos, cobrindo-as com água e cozinhe até que amoleça bem a polpa. Desligue o fogo e espere amornar. Em seguida, retire com uma colher a polpa das cascas e passe por uma peneira, obtendo uma massa. Coloque em uma panela essa massa, as partes do melaço que estava reservado e adicione 3 copos de açúcar. Misture bem e leve para cozinhar em fogo brando, mexendo sempre, até adquirir a consistência de geléia. Deixe amornar e coloque em vidros, fechando hermeticamente.
CONTRAINDICAÇÕES:
Não deve ser usado junto com medicamentos sedativos e depressores do sistema nervoso. Nunca utilizar cronicamente.
EFEITOS ADVERSOS:
Seu uso pode causar sonolência.
CURIOSIDADE E INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES:
Existem mais de 500 espécies de Passiflora. Saiba mais em: http://ivrtpm.cpac.embrapa.br/homepage/palestras/mr5barros.pdf
REFERÊNCIAS:
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA. Farmacopeia Brasileira. Memento Fitoterápico, 1° Edição, 2016.
BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução da Diretoria Colegiada n. 10, de 9 de março de 2010. Dispõe sobre a notificação de drogas vegetais junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Diário Oficial [da] União da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 10 mar. 2010d. Não paginado. Disponível em: . Acesso em: 26 jul. 2021.
MATOS, FJA. As plantas das Farmácias Vivas. Fortaleza. 1997a.
MILLS, S; BONE, K. The essential guide to herbal safety. Elservier. 2004.
PANIZZA, Sylvio. Plantas que curam: cheiro de mato. 4. ed. São Paulo: IBRASA, 1997. 279 p
PROPLAM - Guia de Orientações para implantação do Serviço de Fitoterapia. Rio de Janeiro. 2004.
SAAD, G. A et al. Fitoterapia Contemporânea: tradição e ciência na prática clínica, 2ª edição. Guanabara Koogan, 2016.

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