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  Publicado em: 04/10/2021
  Alterado em: 18/10/2021
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NOME BOTÂNICO:
Camellia sinensis L.
FAMÍLIA:
Theaceae
NOME POPULAR:
Chá, chá-verde, chá-preto, chá-da-índia, black tea (inglês), green tea (inglês).
DESCRIÇÃO BOTÂNICA:
Arbusto perenifólio grande ou arvoreta de 3-4 m de altura, de copa piramidal e densa. Folhas simples, lanceoladas, coriáceas, quase glabras, de 4-7 cm de comprimento. Flores de cor branca, solitárias ou em grupo de duas ou três nas axilas foliares. Os frutos são cápsulas deiscentes e oblongas, com 1-3 sementes. As folhas são mais tenras quando jovens, devendo ser colhidas neste estágio de seu crescimento, para serem transformadas no material comercial que se conhece pelos nomes de chá-preto e chá-verde. É originária da Ásia na região de Assam, Laos e Sião e cultivada em larga escala especialmente na China, Japão e Ceilão e, em menor escala no Brasil no litoral sul do estado de São Paulo.
FITOQUÍMICA:
As folhas não fermentadas contêm proteínas (15 a 20%), glicídeos (5%), ácido ascórbico, vitaminas do complexo B e bases púricas, especialmente cafeína (2 a 4%), polifenóis (30%): monosídeos de flavonóis e flavonas, catecóis e epicatecóis livres e esterificados pelo ácido gálico e produtos de condensação e taninos (10 a 24%).
Após a fermentação, a infusão resultante passa de amarelo pálido (chá-verde) para vermelho castanho (chá-preto), pela oxidação dos polifenóis, em particular pela formação de benzotropolonas. O odor aromático deve-se à presença de compostos voláteis, formados durante as operações de fermentação e secagem: derivados cetônicos, resultantes da degradação de carotenos; hexenal, formado pela oxidação de ácidos graxos insaturados e heterocícliclos diversos, produtos da oxidação e rearranjo estrutural de monoterpenos.
MARCADOR:
Polifenóis - catequina.
ALEGAÇÕES:
Na medicina tradicional chinesa, o chá-verde é utilizado para o tratamento da asma, angina de peito e doenças vasculares. O chá-preto, como tônico em geral, para gastrenterites e controle da diabetes.
Atualmente é relacionado à redução do peso corporal, ao alívio da síndrome metabólica, na prevenção do diabetes e das doenças cardiovasculares em modelos animais e humanos. Nestes últimos, a ingesta diária preconizada é de 3 a 4 xícaras, o que corresponde a 600 a 900 mg de catequinas, sendo que o chá-verde é mais eficaz neste aspecto. Podem ser destacados como mecanismo de ação a redução de absorção de lipídios e proteínas no intestino causada pelos constituintes do chá, e a ativação do cAMP pelos polifenóis, músculo esquelético e tecido adiposo.
PARTE UTILIZADA:
Folhas
VIA DE ADMINISTRAÇÃO:
Oral.
USO:
Adulto.
POSOLOGIA E FORMA DE USAR:
Infusão. Tomar duas xícaras ao dia.
Extrato seco padronizado (50% de polifenóis): 100 a 600mg/dia.
FORMULAÇÕES CASEIRAS:
Infusão: colocar uma colher de chá cheia da planta em uma xícara de água. Acrescentar água fervente, abafar e deixar descansar por 3 min. Tomar duas xícaras ao dia.
CONTRAINDICAÇÕES:
Leve constipação intestinal em consumidores habituais. Evitar o uso noturno em indivíduos com tendência à insônia. Uso crônico pode elevar os períodos e duração de convulsões.
EFEITOS ADVERSOS:
Seu extrato aquoso pode prolongar o tempo de coagulação, portanto sua ingestão deve ser evitada por hemofílicos, e em exagero por pacientes que serão submetidos a procedimentos cirúrgicos.
CURIOSIDADE E INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES:
Existem cinco tipos principais de chás obtidos conforme o tipo de processamento da matéria-prima:
Chá-preto: envolve quatro fases de beneficiamento - murchar (na sombra), enrolar, fermentar e secar (no forno ou fogo). As folhas são partidas em pequenas partículas.
Chá oolong: é considerado semifermentado. As folhas são murchadas ao sol, sacudidas em grandes peneiras e espalhadas ar para secarem e fermentarem. As folhas são comercializadas inteiras.
Chá-verde: são chás não fermentados. As folhas são passadas pelo calor (vapor d'água) para impossibilitar qualquer processo de fermentação e depois secas.
Chá-branco: os brotos das folhas são colhidos antes de abrirem, postos para murchar ao ar e depois secos, ficando com um aspecto prateado. Esse é o tipo que contém mais compostos fenólicos.
Chá-vermelho: é preparado pela fermentação completa, e, por longo tempo, das folhas. Durante essa fermentação observa-se a presença do microrganismo Aspergillus niger. O processo todo de produção do chá-vermelho exige, no mínimo, 3 anos. É ao longo deste tempo que a bebida adquire a sua cor característica.

REFERÊNCIAS:
LORENZI, H.; MATOS, F.J.A Plantas medicinais no Brasil. Nativas e exóticas. ed. Nova Odessa: Instituto Plantarum, 2002.
SAAD, G. A et al. Fitoterapia Contemporânea: tradição e ciência na prática clínica, 2ª edição. Guanabara Koogan, 2016.

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