Planta medicinal Valeriana
Autor: Eduardo Maia
  Publicado em: 03/08/2022
  Alterado em: 05/08/2022
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Conheça as propriedades medicinais da Valeriana (Valeriana officinalis)



NOME BOTÂNICO: Valeriana officinalis L.
FAMÍLIA: Caprifoliaceae (Valerianaceae).
NOME POPULAR:
Valeriana, erva-do-gato.
DESCRIÇÃO BOTÂNICA:
Herbácea vivaz de caule grosso e oco, com rizoma curto e cônico, do qual partem raízes divergentes, quase horizontais e esbranquiçadas. A haste é completamente oca, roliça, com estrias e listas, fistulosa e contém de seis a dez pares de folhas, que são opostas, de pecíolos curtos, divididas em segmentos dentados profundos. Possuem um sabor amargo intenso. As flores são numerosas, de cor branca ou rosada, e se reúnem em cachos ou ramalhetes opostos, em forma de guarda-chuva, na extremidade das hastes. As raízes e rizomas possuem inicialmente um sabor picante que logo desaparece, tornando-se um pouco amargo. Quando secas desprendem um odor forte e desagradável, semelhante ao da urina dos gatos. É uma erva de lugares úmidos, crescendo bem ao longo das margens dos rios. As raízes e os rizomas são coletados após 2 ou 3 anos do plantio. Para tanto, arranca-se a planta toda para poder usufruir de todos os seus poderes terapêuticos, deixando na terra um rizoma, que dará origem a outro pé. Após a coleta, lava-se bem em água corrente, sacudindo várias vezes, com cuidado, para não machucar a epiderme.
FITOQUÍMICA:
Contém 0,5 a 2% de iridoides, conhecidos como valepotriatos (valtrato, isovaltrato, homovaltrato, acevaltrato, valeclorina, di-hidrovaltratos), 0,5 a 1% de óleo essencial constituído de monoterpenóis (canfeno, α-pineno, borneol, geraniol, α-terpinol), sesquiterpenoides (valeranona, vaterianol, β-bisaboleno, β-cariofileno, α, β, γ ed-valeno), ésteres terpênicos (acetato, butirato, formiato, isovalerianato de bornila, acetil-mirtenol), ácidos sesquiterpênicos, alcaloides (valerina, valerianina), ácidos fenólicos (ácidos cafeico e clorogênico), flavonoides e alcaloides (valerianina, valerina, chatinina, isovaleramida, dipiridilmetilcetona, actinidina, pinoresinol etc.).
A ocorrência de três sesquiterpenoides do tipo ciclopentano (ácido valerênico, ácido aceto xivelerênico e valerenal) é exclusiva da V. officinalis e permite distingui-la de duas outras espécies (V. edulis e V. wallichii).
MARCADOR:
Ácido valerênico.
ALEGAÇÕES:
Ansiedade, insônia, dores de cabeça, tonturas, palpitações, enxaquecas, depressão e neuralgias. Problemas de estômago de origem nervosa, flatulência, diarreia crônica e constipação intestinal. Também é utilizada como vermífugo, alívio da asma, icterícia, e epilepsia e diurética.
PARTE UTILIZADA: Raiz.
VIA DE ADMINISTRAÇÃO: Oral.
USO: Adulto.
POSOLOGIA E FORMA DE USAR:
Planta seca: 2 a 3 g até 4 vezes/dia.
Infusão: 1 a 3 g até 4 vezes/dia.
Extrato seco (5:1): 300 a 1.200 mg de 2 a 3 vezes/dia.
Tintura (1:5, etanol 70): 50 a 100 gotas, 1 a 3 vezes/dia.
Extrato fluido (1:1): 50 a 100 gotas, 1 a 3 vezes/dia.
FORMULAÇÕES CASEIRAS:
Calmante para doenças nervosas; ansiedade; histeria; distúrbios da menopausa (angústia, ondas de calor pelo corpo e tristeza); esgotamento; enxaqueca de origem nervosa: em 1 xícara (chá), coloque 1 colher (chá) da raiz e rizoma fatiados e adicione água fervente. Abafe por 5 minutos e coe. Tome 1 xícara (chá), de 1 a 3 vezes ao dia.
Dores localizadas; feridas; chagas; psoríases: coloque 4 colheres (chá) da raiz e rizoma fatiados em 1 xícara (chá) de água em fervura. Deixe ferver por 5 minutos, espere amornar e coe. Aplique no local afetado, em forma de cataplasma, 2 vezes ao dia.
Espasmos (intestinais e estomacais); ansiedade; histeria; esgotamento de origem nervosa; distúrbios da menopausa; insônia: coloque 2 colheres (sopa) da raiz e rizoma fatiados em 1 xícara (chá) de álcool de cereais a 70%. Deixe em maceração por 10 dias, coe e acrescente 1 colher (sopa) de glicerina. Tome 1 colher (café), diluído em um pouco de água, 2 vezes ao dia, entre as principais refeições. No caso de insônia, deve ser tomado também à noite, 30 minutos antes de se deitar.
CONTRAINDICAÇÕES:
Durante a gravidez e a lactação.
EFEITOS ADVERSOS:
O álcool potencializa os efeitos da valeriana.
O uso prolongado ou em altas doses pode provocar pirose, diarreias, cefaleia, vertigem, acúfenos e sedação pronunciada.
Usar com cuidado em pacientes que tomam anti-hipertensivos, pois pode provocar hipotensão.
Pode causar interação com anestésicos potencializando efeito dos anestésicos.
CURIOSIDADE E INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES:
Informação não encontrada na literatura citada.
REFERÊNCIAS:
ALONSO, JR. Tratado de fitomedicina. Bases clínicas e farmacológicas. ISIS Ed. Argentina. 1998.
LORENZI, H.; MATOS, F.J.A Plantas medicinais no Brasil. Nativas e exóticas. ed. Nova Odessa: Instituto Plantarum, 2002.
SAAD, G. A et al. Fitoterapia Contemporânea: tradição e ciência na prática clínica, 2ª edição. Guanabara Koogan, 2016.

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Eduardo Maia
Farmacêutico Especialista em Fitoterapia Clínica pela UFSCar.
Profissional com sólida formação em pesquisa e inovação.
Atua como professor digital na área de fitoterapia.